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Oficina de Negócios

Indicadores

Indicadores de negociação que valem a pena medir

Não é preciso um painel com vinte métricas de CRM. Meia dúzia de indicadores, bem escolhidos e olhados com regularidade, já conta a maior parte da história de como o seu time negocia.

01Por que meia dúzia de números já basta

É tentador tentar medir tudo. Na prática, um time pequeno ganha mais revisando poucos números com constância do que montando um painel completo que ninguém vai abrir depois da segunda semana. Os seis indicadores a seguir cobrem as quatro áreas que mais costumam travar um fechamento: tempo, concessão, limite e alternativa.

02Tempo médio até o fechamento (TMF)

É o tempo médio, em dias, entre a primeira proposta enviada e a assinatura do contrato. Quanto maior o TMF, maior o intervalo em que o negócio fica “em aberto” — e um deal em aberto por tempo demais tende a esfriar, perder orçamento ou virar prioridade de outro fornecedor.

Para estimar sem CRM: pegue os últimos vinte fechamentos, calcule quantos dias cada um levou entre a primeira proposta e a assinatura, e tire a média simples. Repetir esse cálculo todo trimestre já mostra se o prazo está esticando.

03Tempo médio de resposta ao contraponto (TRC)

É o espelho do indicador anterior, olhando pro outro lado da mesa: quanto tempo o seu time leva pra responder a uma objeção ou contraproposta. O equilíbrio entre TMF e TRC diz muito sobre quem está com pressa — quando o cliente demora pra responder mas cobra resposta rápida do seu time, ele está usando o tempo como ferramenta de pressão, e isso tem um custo, mesmo que invisível na hora da proposta.

04Margem de concessão

É o quanto foi cedido em relação à proposta inicial — desconto, prazo extra, escopo a mais — somado numa única conta, depois de fechado o acordo. Essa margem é o que efetivamente “sai do bolso” do negócio pra fazer o cliente assinar, além do que já estava previsto na proposta original.

Uma forma simples de estimar: pegue o valor da proposta inicial, subtraia o valor final fechado, some qualquer extra dado de graça (suporte, onboarding, SLA maior) e veja quanto isso representa em percentual. É esse número — não o desconto “de tabela” — que mostra se vale a pena repetir aquele roteiro.

05Limite mínimo aceitável

É o ponto abaixo do qual o negócio deixa de valer a pena — calculado antes de sentar à mesa, não durante a conversa. Serve pra saber, em qualquer rodada, se ainda vale continuar negociando ou se é hora de agradecer e sair.

Saber esse número muda a conversa: em vez de perguntar “fechamos ou não?”, a pergunta vira “fechamos acima ou abaixo do limite que definimos antes?” — uma leitura bem mais objetiva.

06Taxa de impasse (percentual travado)

É a proporção das negociações abertas que ficam mais de um número definido de dias sem resposta do outro lado (por exemplo, mais de quinze ou trinta dias). Olhar esse percentual isoladamente, uma vez, diz pouco — o que importa é a tendência: esse número está subindo, estável ou caindo a cada trimestre?

07Alternativas de reserva (plano B), em número de opções

É quantas alternativas reais o time tem preparadas antes de entrar numa negociação importante — outro fornecedor, outro cliente, outro caminho — caso aquela conversa específica não feche. Não existe um número “certo” universal, mas ter pelo menos uma alternativa concreta já muda a forma como a pressão da outra parte é sentida: deixa de virar ameaça e vira só mais uma opção da mesa.

Esses seis números formam boa parte do que avaliamos logo no início de um trabalho — veja também o que avaliamos primeiro e, para o primeiro deles em detalhe, como montar o roteiro de negociação.

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